02-03-2006
Quase

Ler em voz alta, num tom pausado... como quem não sabe de nada...
Um pouco mais de sol - eu era brasa,
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...
Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído
Num baixo mar enganador de espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho - ó dor! - quase vivido...
Quase o amor, quase o triunfo e a chama,
Quase o princípio e o fim - quase a expansão...
Mas na minh'alma tudo se derrama...
Entanto nada foi só ilusão!
De tudo houve um começo... e tudo errou...
- Ai a dor de ser - quase, dor sem fim... -
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se elançou mas não voou...
Momentos de alma que desbaratei...
Templos aonde nunca pus um altar...
Rios que perdi sem os levar ao mar...
Ânsias que foram mas que não fixei...
Se me vagueio, encontro só indícios...
Ogivas para o sol - vejo-as cerradas;
E mãos de herói, sem fé, acobardadas,
Puseram grades sobre os precipícios...
Num ímpeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí...
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi...
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Um pouco mais de sol - e fora brasa,
Um pouco mais de azul - e fora além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...
Mário de Sá-Carneiro
Paris, 13-5-1913
14:20 Escrito em Momentos de Poesia | Permalink | Comentários (2) | Enviar por e-mail
02-02-2006
II
Sinto que desperdicei os anos
À espera que procurasses conforto em mim
Mas o tempo passou,
escorreu entre os dedos
E agora, que o último momento
da ultima união das nossas vidas se aproxima
Sei que nada te trará de volta
A não ser um poema
que quebre a distância que existe entre nós...
Joana
PS: Este poema tem muitos anos, mas ainda vale por aquilo que não conseguiu realizar.
18:38 Escrito em Momentos de Poesia | Permalink | Comentários (0) | Enviar por e-mail
01-02-2006
Momento de poesia I
Os pesadelos que tenho durante as noites longas
De solidão, nas quais os terrores aparecem e
Insistem em permanecer.
Os sonhos das noites curtas de alegria, da esperança
Vã de viver alguns deles, de os realizar como os
Ilusionei, como os tornei mágicos.
E agora não sei...
Abomino os pesadelos que me cercam, sem possibilidade
De fuga, num espaço escuro e frio. Ali fico,
Sozinha e pensativa, tentando ultrapassar medos
Infundados que me assombram a vida.
E os pequenos sonhos, pequenos momentos de prazer,
De... sonho! Eles que me permitem fugir, desaparecer
Do buraco em que me escondi, e, de onde,
Nunca quereria sair.
Ambos são precisos...
O Medo e a Magia regem a minha vida...
E o que se passa durante a noite, não passa de um
Reflexo de tudo o que acontece, de tudo o que vivo,
De tudo o que sou...
Eu disse que gostava de escrever...
Joana
17:15 Escrito em Momentos de Poesia | Permalink | Comentários (3) | Enviar por e-mail

