08-02-2006
O teu retrato
Numa foto qualquer perdida num álbum, daqueles antigos, encontrei o teu retrato.
Estavas tão belo! A tua face permanecia no papel como permaneceu na minha memória: imaculada, intocável e diabólica. É a tua face que me assombra os sonhos nocturnos e os dias que passo a tentar esquecer-te.
Sei que te encontrarei no dia em que os nossos caminhos se voltarem a cruzar, esse dia que desejo que nunca chegue. Fizeste-me sofrer tanto, tanto, que agora já nem sei quem sou, ou mesmo, quem era antes de te conhecer.
Num passado distante em que não ouvia a tua voz, não imaginava o teu olhar direccionado para mim, não sentia o teu sabor nos meus lábios, nessa época sabia quem alguma vez fui. Sabia que era feliz, que queria continuar a sê-lo. Mas não deixaste.
Durante dias intermináveis arrastaste a minha alma e o meu coração pelo marasmo dos dias e fizeste-me sentir a mais profunda solidão, sem nada, sem ninguém para me consolar.
E agora acabou! Só me restam estas memórias estúpidas e, para ti, insignificantes, dos tempos em que num alto pedestal era a tua luz e tu, sim tu, o meu primeiro amor. Nada será igual e nunca voltarei a amar algum outro pobre infeliz, sem que a tua crueldade e a tua indiferença retornem, juntamente com toda esta dor.
Hoje encontrei o teu retrato. Hoje encontrei-te. Meu Deus. E estou só. Tão só…
Talvez o amanhã seja outro dia. Talvez amanhã te encontre novamente, mas a tua foto vai para o lixo, rasgada em partículas tão pequenas que nunca suspeitarão que tu ali estivesses. Só eu o sei, só eu o saberei sempre, por que o meu coração também para lá foi jogado, quebrado em tantos pedaços dolorosos que apenas as lágrimas que choro provam que ainda vivo.

00:20 Escrito em Desabafos | Permalink | Comentários (3) | Enviar por e-mail
07-02-2006
250 testes à paciência
Como se não bastassem os toques polifónicos, as fotografias, a filmagem / conversa em tempo real, o WAP, o GPS, e tantos outros gadgets que os telemóveis trazem hoje atrelados, a TMN (passo a publicidade) lançou uma campanha altamente... irritante.
Quando consideramos os SMS como um elemento vital nas nossas humildes e desprovidas de interesse vidas, tomem lá 250 gratuitos/dia, até 30 de Junho, para chatear a cabeça aos vossos amigos. Até aqui nada de novo...
O problema coloca-se, e como sabemos os portugueses levam tudo ao exagero, quando as mensagens escritas não apresentam nenhum conteúdo de jeito. Se elas já eram extremante irritantes (quem nunca recebeu um «OK.» de resposta a uma questão que merecia ser algo desenvolvida?), então agora atingiram um ponto insaturável. E são só 250.
Questiono-me se a mudança de imagem da TMN (p.a.p.) terá surtido efeitos práticos. Ainda me lembro das bancas dos jornais forradas com aquele tom azul, e, por mais que procurasse fugir á invasão, os gajos conseguiram (pagaram) estar presentes nas capas de todas as publicações daquele fatídico dia. E o lema «Até já» fazia-me querer gritar «Até nunca».
Mas voltando aos SMS.
Uma pessoa sabe reconhecer quando algo lhe diz absolutamente nada. E, pior ainda, quando no espaço de meia hora recebe 20 mensagens que lhe dizem exactamente isso: NADA. Não é por serem engraçadas, queridas ou por terem palavrões (o conceito de comédia do povo lusitano) que merecem o mínimo de atenção.
Eis um exemplo, apresentado à letra:
«Xegaram as novas bolachas japonesas d marca NU CU, prove NU CU, da aos teus amigos NU CU, e onde ker k va leve NU CU. seja feliz, levando sempre NU CU...»
*recebida às 00:54h, de 06/02/06
Sem me dar ao trabalho de comentar o (pouco) português utilizado, que poderei dizer sobre isto? Nada.
Só peço, não, rogo que as chamadas «correntes» essémésicas não rondem o meu telélé. E deixem lá ver onde isto vai parar.
I rest my case...
Joana
14:00 Escrito em Tema da Semana | Permalink | Comentários (4) | Enviar por e-mail
Novo Congresso
Numa altura em que os problemas relacionados com os Media encontram um maior interesse da opinião pública, e sendo os meios académicos um terreno privilegiado para a sua discussão, os congressos nesta área são cada vez mais e de melhorada qualidade.
Nova recomendação. Embora a viagem seja longa, vale a pena.
LUSOCOM 2006
Vejam o Programa e as Comunicações Aceites com especial atenção.
Acho que a tradução, em mais que um sentido, é desnecessária.
Joana
00:50 Escrito em Public Announcement | Permalink | Comentários (0) | Enviar por e-mail
06-02-2006
Eu (né?) e o café!!!!
Existe um vício, uma necessidade extrema que eu faço questão de partilhar com uma larga maioria da população mundial: a cafeína.
Ainda me lembro daquele aroma idílico que perfurou o meu olfacto, era eu uma ignóbil criança, mas cujo «cheiro» persegui ao longo dos anos.
O café é hoje um elo de ligação entre os povos (como se denota na variedade de tipos existentes e nas dificuldades que tenho em identificar as origens de alguns) e nada, repito, nada pode substituir a importância que ele adquiriu ao longo dos séculos.
Teríamos obras de Fernando Pessoa ou de qualquer outro grande autor, se as doses diárias de cafeína que ingeriam não os mantivessem acordados, ao longo das inúmeras noites em que compunham as suas eternas lembranças? Acho que não.
Existe melhor acordar, do que quando sentimos o odor daquele líquido sagrado, que nos dá forças / energia para encarar as batalhas que enfrentamos todos os dias? Acho que não.
Eu te saúdo... oh café do meu contentamento.
E agora se me desculpam...

Só bebi 4 (??) hoje e tal é impensável.
Joana
PS: Este post foi realizado após os ahhhhhs de espanto de dezenas de trauseuntes que não crêm no poder miraculoso do café sobre os neurónios. Abaixo a águinha com gás e os descafeinados!!!!
21:45 Escrito em Desabafos | Permalink | Comentários (4) | Enviar por e-mail
03-02-2006
Notam diferenças??
Era uma vez um país
onde entre o mar e a guerra
vivia o mais infeliz
dos povos à beira-terra.
de José Carlos Ary dos Santos,
As Portas que Abril Abriu (1975)
Não há guerra (depende do ponto de vista), mas a tristeza mantém-se.
De que nos serviu Abril, se este cantinho à beira-mar plantado vive um eterno inverno de desgostos?
Joana
20:55 Escrito em Desabafos | Permalink | Comentários (5) | Enviar por e-mail
Janis Joplin
Para quem cresceu a ouvir a boa música que a «Geração Woodstock» nos deixou como legado (obrigada Pai pela colecção de vinys que conseguiste resgatar dos malucos dos primos), conhece certamente este nome.
Cabelos ao vento, voz rouca e um estilo muito peculiar caracterizam este ser que, vivendo o lema sexo, drogas & rock'n'roll ao máximo.
Morreu de overdose, no mesmo ano em que outro lendário partiu - Jimi Hendrix.
Ficou a música e o mito da eternidade.
Joana
PS: Freedom is just another word for nothing left to lose... (Me & Bobby McGee).
17:50 Escrito em Musicalidades | Permalink | Comentários (2) | Enviar por e-mail
02-02-2006
II
Sinto que desperdicei os anos
À espera que procurasses conforto em mim
Mas o tempo passou,
escorreu entre os dedos
E agora, que o último momento
da ultima união das nossas vidas se aproxima
Sei que nada te trará de volta
A não ser um poema
que quebre a distância que existe entre nós...
Joana
PS: Este poema tem muitos anos, mas ainda vale por aquilo que não conseguiu realizar.
18:38 Escrito em Momentos de Poesia | Permalink | Comentários (0) | Enviar por e-mail
Love is in the... ground??
Supõem-se que o amor é uma faca de dois gumes, uma navalha que retorce as nossas entranhas em uivos lancinantes, ou que opera cirurgicamente as feridas que lambemos com amargura desde a primeira palmada no rabo, quando gritamos pela falta do calor materno. Eu acredito na paixão bela, suave e estranha, que nos dá asas nos pés, nos faz dizer parvoíces sem conta a pessoas desconhecidas, que nos atribui um brilho especial ao olhar, nos faz emagrecer e nos torna a cútis muito mais disciplinada (anúncios publicitários a cremes faciais imploram seres apaixonados). Sim, eu acredito nisso tudo. Estes turbilhões, furacões, terramotos, cataclismos e que mais tragédias ocorrem nos momentos (...) são dogmas que carrego no meu peito e cujos ensinamentos me obrigo a aplicar no quotidiano.
Não dá logo para ver a veracidade das minhas palavras? Chama-se cepticismo, amigos, mais nada. Ou, então, podem-me chamar cínica que eu não me importo, já que me vejo ao espelho todos os dias e sei com o que estou a lidar.
Joana
16:30 Escrito em Desabafos | Permalink | Comentários (2) | Enviar por e-mail
Books Club - Fevereiro
No início de cada mês, e de forma a captar o espírito literário dos que aqui vêm, vou apresentar quatro sugestões que, posteriormente, irei criticar.
Ao ritmo de um por semana, e sempre de acordo com a temática mensal escolhida, irão ter uma recensão sobre estas recomendações.

Fevereiro
Com o Carnaval ainda longe, temos neste mês a propaganda romântica a São Valentim. Já podem visualizar os chocolates, os cartões com mensagens queridas, os peluches, as colectâneas musicais e toda essa panóplia de produtos que o santo baptiza como essenciais nesta época.
Os que não têm a sua «cara-metade» observam com horror a proximação do dia 14, e os que já encontraram qualquer tipo de «alma gémea» mal podem esperar o que o mesmo lhes reserva.
Não sendo uma defensora acérrima da exploração comercial que parece votada ao «Dia do Amor» (sim, foi necessário termos um dia para isto também - não é quando o Homem quiser, é quando o Ferrero Rocher ainda está à venda), procurei juntar uns quantos livros que percepcionassem o «Luv» de forma complexa. A base de pesquisa foi o facto de terem sido banidos pela Igreja Católica, figurando no Index, o que lhes permitiu uma publicidade muito boa e um aumento substancial nas vendas.
Se tiverem coragem de os ler, e tentar interiorizar parte da mensagem que estes autores perpetuaram na História, lembrem-se que devem ter uma mente aberta e não renegarem qualquer descrição como vulgar. embora o pareça à primeira vista / leitura.
Aqui estão eles:
1. O Amante de Lady Chatterley- D.H.Lawrence
2. Fanny Hill - John Cleland
3. Memórias de Alcova / Justine - Marquês de Sade
4. Trópico de Câncer - Henry Miller
Aguardo tertúlias. Boas leituras.
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Public Announcement nr.1
To whom it may concern...
Começo aqui uma espécie de «guia» (ou roteiro, se acharem o termo muito forte) para todos os que estejam interessados em Comunicação Social e pretendam ser informados de congressos, palestras e ocasiões do género.
No passado mês de Outubro, eu e um grupo de colegas meus fomos à bela cidade de Aveiro para assistirmos ao 4ºSOPCOM. Até aqui nada de novo, mas se fizermos um apanhado do que foi o nosso curso até então, posso afirmar que foi uma revelação.
Ouvir as explicações das teorias que nos obrigam a decorar, directamente daqueles que as criaram, em vez de dar voltas sobre determinado conceito que não nos entra na cabeça, foi algo de mágico.
Gozem à vontade, mas escutar o Pacheco Pereira e o Eduardo Prado Coelho a discutirem (de forma simples) os problemas dos Media actuais podem crer que nos abre a mente a outras questões que nunca pensámos colocar.
E aqui vai a primeira proposta:
Jornadas Internacionais de Jornalismo
A todos os futuros jornalistas, e não só, aconselho vivamente uma visita à cidade do Porto.
Eu sei que vou.
O relato fica para depois.
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