03-02-2006

Notam diferenças??

Era uma vez um país
onde entre o mar e a guerra
vivia o mais infeliz
dos povos à beira-terra.


de José Carlos Ary dos Santos,
As Portas que Abril Abriu (1975)

Não há guerra (depende do ponto de vista), mas a tristeza mantém-se.
De que nos serviu Abril, se este cantinho à beira-mar plantado vive um eterno inverno de desgostos?

Joana

Janis Joplin

Para quem cresceu a ouvir a boa música que a «Geração Woodstock» nos deixou como legado (obrigada Pai pela colecção de vinys que conseguiste resgatar dos malucos dos primos), conhece certamente este nome.
Cabelos ao vento, voz rouca e um estilo muito peculiar caracterizam este ser que, vivendo o lema sexo, drogas & rock'n'roll ao máximo.
Morreu de overdose, no mesmo ano em que outro lendário partiu - Jimi Hendrix.
Ficou a música e o mito da eternidade.

Joana

PS: Freedom is just another word for nothing left to lose... (Me & Bobby McGee).

02-02-2006

II

Sinto que desperdicei os anos
À espera que procurasses conforto em mim

Mas o tempo passou,
escorreu entre os dedos

E agora, que o último momento
da ultima união das nossas vidas se aproxima

Sei que nada te trará de volta
A não ser um poema
que quebre a distância que existe entre nós...

Joana

PS: Este poema tem muitos anos, mas ainda vale por aquilo que não conseguiu realizar.

Love is in the... ground??

Supõem-se que o amor é uma faca de dois gumes, uma navalha que retorce as nossas entranhas em uivos lancinantes, ou que opera cirurgicamente as feridas que lambemos com amargura desde a primeira palmada no rabo, quando gritamos pela falta do calor materno. Eu acredito na paixão bela, suave e estranha, que nos dá asas nos pés, nos faz dizer parvoíces sem conta a pessoas desconhecidas, que nos atribui um brilho especial ao olhar, nos faz emagrecer e nos torna a cútis muito mais disciplinada (anúncios publicitários a cremes faciais imploram seres apaixonados). Sim, eu acredito nisso tudo. Estes turbilhões, furacões, terramotos, cataclismos e que mais tragédias ocorrem nos momentos (...) são dogmas que carrego no meu peito e cujos ensinamentos me obrigo a aplicar no quotidiano.
Não dá logo para ver a veracidade das minhas palavras? Chama-se cepticismo, amigos, mais nada. Ou, então, podem-me chamar cínica que eu não me importo, já que me vejo ao espelho todos os dias e sei com o que estou a lidar.

Joana

Books Club - Fevereiro

No início de cada mês, e de forma a captar o espírito literário dos que aqui vêm, vou apresentar quatro sugestões que, posteriormente, irei criticar.
Ao ritmo de um por semana, e sempre de acordo com a temática mensal escolhida, irão ter uma recensão sobre estas recomendações.


Fevereiro
Com o Carnaval ainda longe, temos neste mês a propaganda romântica a São Valentim. Já podem visualizar os chocolates, os cartões com mensagens queridas, os peluches, as colectâneas musicais e toda essa panóplia de produtos que o santo baptiza como essenciais nesta época.
Os que não têm a sua «cara-metade» observam com horror a proximação do dia 14, e os que já encontraram qualquer tipo de «alma gémea» mal podem esperar o que o mesmo lhes reserva.
Não sendo uma defensora acérrima da exploração comercial que parece votada ao «Dia do Amor» (sim, foi necessário termos um dia para isto também - não é quando o Homem quiser, é quando o Ferrero Rocher ainda está à venda), procurei juntar uns quantos livros que percepcionassem o «Luv» de forma complexa. A base de pesquisa foi o facto de terem sido banidos pela Igreja Católica, figurando no Index, o que lhes permitiu uma publicidade muito boa e um aumento substancial nas vendas.
Se tiverem coragem de os ler, e tentar interiorizar parte da mensagem que estes autores perpetuaram na História, lembrem-se que devem ter uma mente aberta e não renegarem qualquer descrição como vulgar. embora o pareça à primeira vista / leitura.

Aqui estão eles:
1. O Amante de Lady Chatterley- D.H.Lawrence
2. Fanny Hill - John Cleland
3. Memórias de Alcova / Justine - Marquês de Sade
4. Trópico de Câncer - Henry Miller

Aguardo tertúlias. Boas leituras.

Public Announcement nr.1

To whom it may concern...

Começo aqui uma espécie de «guia» (ou roteiro, se acharem o termo muito forte) para todos os que estejam interessados em Comunicação Social e pretendam ser informados de congressos, palestras e ocasiões do género.
No passado mês de Outubro, eu e um grupo de colegas meus fomos à bela cidade de Aveiro para assistirmos ao 4ºSOPCOM. Até aqui nada de novo, mas se fizermos um apanhado do que foi o nosso curso até então, posso afirmar que foi uma revelação.
Ouvir as explicações das teorias que nos obrigam a decorar, directamente daqueles que as criaram, em vez de dar voltas sobre determinado conceito que não nos entra na cabeça, foi algo de mágico.
Gozem à vontade, mas escutar o Pacheco Pereira e o Eduardo Prado Coelho a discutirem (de forma simples) os problemas dos Media actuais podem crer que nos abre a mente a outras questões que nunca pensámos colocar.

E aqui vai a primeira proposta:

Jornadas Internacionais de Jornalismo

A todos os futuros jornalistas, e não só, aconselho vivamente uma visita à cidade do Porto.
Eu sei que vou.
O relato fica para depois.

01-02-2006

Momento de poesia I

Os pesadelos que tenho durante as noites longas
De solidão, nas quais os terrores aparecem e
Insistem em permanecer.
Os sonhos das noites curtas de alegria, da esperança
Vã de viver alguns deles, de os realizar como os
Ilusionei, como os tornei mágicos.
E agora não sei...
Abomino os pesadelos que me cercam, sem possibilidade
De fuga, num espaço escuro e frio. Ali fico,
Sozinha e pensativa, tentando ultrapassar medos
Infundados que me assombram a vida.
E os pequenos sonhos, pequenos momentos de prazer,
De... sonho! Eles que me permitem fugir, desaparecer
Do buraco em que me escondi, e, de onde,
Nunca quereria sair.
Ambos são precisos...
O Medo e a Magia regem a minha vida...
E o que se passa durante a noite, não passa de um
Reflexo de tudo o que acontece, de tudo o que vivo,
De tudo o que sou...


Eu disse que gostava de escrever...
Joana

Palavras há muitas e leva-as o vento.


Não sei quem escreveu isto (se calhar até inventei eu) mas o gajo / gaja sabia das coisas.
Enquanto somos inundados com o fenómeno da blogosfera, posts atrás de posts - e isto num país em que não se lê, quanto mais escrever, é sempre suspeito - achei por bem juntar-me à festa.
E porquê? Não é que eu saiba a razão, mas gostava de criar um espaçito onde as pessoas aprendessem alguma coisa. Utópico?! Eu sei, eu sei...
Sou estudante universitária (futura jornalista ou desempregada é o dilema dos próximos anos), gosto de ler (até demais) e de escrever.
Quanto aos futuros contéudos (não é gaffe, é private joke) deste blog, não prometo muito, mas críticas literárias e mais críticas vão passar por aqui.
Se conseguir pôr uma pessoa a ler, acho que o meu dever foi cumprido. Se conseguir pôr uma pessoa a pensar, tenho a certeza que tudo é possível - até sairmos da crise...

Por isso, até à próxima e boas leituras.

Trudilú
Joana

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